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UFRJ vai investigar trote de alunos de Medicina

Fotos foram postadas no Facebook por empresa contratada para ajudar na organização

18/04/2013 - 11:40 - Educação
Apesar de o trote ser proibido no Estado do Rio, alunos de universidades públicas e particulares não apenas ignoram a legislação, como também contratam uma empresa que os ajuda a organizar os trotes. No início deste mês, estudantes do curso de Medicina da UFRJ realizaram um trote dentro do campus na Ilha do Fundão, com o patrocínio de uma cervejaria. O evento se tornou alvo de uma investigação da diretoria da Federal.

Fotos postadas no Facebook da empresa TGF eventos, que ajudou a organizar o trote, permitem conferir um pouco do que aconteceu. No álbum “Trote solidário Med UFRJ”, 95 imagens mostram os calouros carregando placas com identificações depreciativas como “viadinho tatuado”, “chifruda” e “filha do demo”. Outras placas com conotação sexual de mais baixo nível sequer podem ser publicadas. Os alunos também podem ser vistos imersos dentro de uma piscina com um líquido avermelhado. Depois de ser informada pelo GLOBO sobre os fatos, a direção da Faculdade de Medicina informou que abriu uma investigação para apurar o ocorrido.


Empresa conhecida no mercado universitário do Rio, a TGF eventos é uma agência de comunicação, mas também atua como promotora de eventos. De acordo com o diretor da empresa, Thiago Goes, centros acadêmicos de mais de 70 cursos procuram a empresa para fechar parcerias na realização de festas. Entre elas, o trote. A agência informa que, neste caso, as brincadeiras ficam totalmente a cargo dos alunos, enquanto a TGF é responsável pelo fornecimento de material como camisetas, canecas e o contato com possíveis patrocinadores.

— A TGF consegue as marcas para fazer camisas, canecas e patrocinadores para financiar desde tinta até brindes. A gente também produz toda a parte de bar, com atendentes, e garante que tudo fique organizado. As brincadeiras são do centro acadêmico. Mas não pode ter nada violento, nem que desrespeite ninguém. Antigamente, as meninas simulavam sexo, mas hoje não tem nada de obsceno — diz Goes, ao ser questionado sobre as fotos.

De acordo com Froes, os estudantes que mais contratam festas são os alunos dos cursos de Administração, Direito e Medicina de universidades como PUC-Rio, UFRJ, IBMEC, UERJ , Cândido Mendes, Facha, ESPM e Gama Filho. Os custos variam. No caso dos trotes, os preços começam em R$ 3 mil, mas outras festas maiores e mais elaboradas como as chopadas podem passar de R$ 50 mil.

Froes explica ainda que todos os anos monta calendários de eventos com representantes dos centros acadêmicos. Em geral, são fechados contratos prevendo atividades para o ano inteiro em um pacote com um custo promocional. Por ano, chegam a ser produzidas 300 festas com mais de 70 diretórios acadêmicos, patrocinados e apoiados por mais de 10 grandes marcas. Segundo a TGF, as faculdades são informadas da realização das festas no campus.

— Os departamentos são informados para ajudar a fiscalizar — conta. — A gente respeita a tradição, faz para todo mundo ficar bem satisfeito, desde os calouros até para quem contratou a gente.

Entretanto, ao tomar conhecimento das imagens, o diretor da Faculdade de Medicina, Roberto de Andrade Medronho, decidiu abrir uma sindicância para apurar o ocorrido, identificar alunos responsáveis e tomar as providências com base no Código Disciplinar da UFRJ. A faculdade informou ainda que não deu permissão para a realização do trote.

“O diretor da Faculdade de Medicina manifestou repúdio quanto à natureza dos atos e indignação, principalmente por identificar a presença de estudantes 'uniformizados' como integrantes do grupo intitulado 'Esquadrão de Bombas UFRJ', organização cujas atividades já tinham sido banidas da unidade, através de resolução da Congregação da Faculdade de Medicina”, informou a instituição, por meio de nota. O GLOBO tentou contato com os estudantes que participaram do trote, mas ainda não conseguiu localizá-los.

Fonte: O Globo

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