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Avante, o precursor da ilha

26/06/2011 - 00:00 - Notícias

Antes de equipes como Cametá e Independente brigarem por título, equipe de Soure, nos anos 60, fez história

FERREIRA DA COSTA

Da Redação

Hoje, Paysandu e Independente, de Tucuruí disputam a partida final do Campeonato Paraense de 2011, em igualdade de condições. Quem vencer, fica com o título. O Independente, nessa façanha, teve como antecessores o Castanhal, São Raimundo, Águia (duas vezes) e Ananindeua. Todavia, os mais antigos se lembram que coube ao Beneficente Avante Futebol Clube, do então distrito de Salvaterra (município de Soure), em 1960, há 51 anos, romper a barreira: foi o primeiro clube do interior a entrar nas disputas do certame estadual paraense. Chegou a brigar pela conquista do segundo turno, não alcançando êxito, mas com muita fibra e ousadia valorizou enormemente a competição, plantando a semente que viria a germinar muitos anos depois, com o certame se expandindo para todo o chamado "interland".

O Avante veio para Belém com muito sacrifício e fez bonito, pois formou boas equipes nas oito temporadas - de 1960 a 1967 - em que enfrentou os times chamados pequenos da capital, além de Remo, Tuna e Paysandu. E chegou a ter na sua formação renomados craques do futebol paraense, que haviam passado pelos três grandes da capital. Depois de mostrar sua marca e deixar seu nome firmado no cenário futebolístico de Belém, diante de imensas dificuldades, os dirigentes do clube marajoara decidiram dar por encerrada a participação no certame, para que a agremiação não tivesse seu patrimônio sacrificado, para pagamento de dívidas.

O Avante Beneficente Futebol Clube foi fundado dia 2 de junho de 1950, no então distrito de Salvaterra, pertencente ao município de Soure, ilha do Marajó. No início da temporada de 1960, sua diretoria, tendo à frente o desportista Orlando Brito, cirurgião dentista, servidor da Sudam, tomou uma decisão ousada: vir para a capital do Estado disputar o Campeonato Paraense de futebol da 1ª Divisão, entrando em um círculo até então restrito aos clubes de Belém. O clube marajoara contou com o apoio do então presidente da FPD, Oscar da Costa Castro.

Jornal estampa: "Campanha estupenda"

O Avante fez sua estreia no certame paraense dia 22 de maio de 1960 enfrentando o campeão de 1959, o Paysandu, na Curuzu. Quando todos pensavam que o Papão iria ganhar fácil, o clube marajoara arrancou um empate em 2 a 2, na casa do adversário, mostrando que não tinha vindo a Belém para fazer figuração. O time azul e branco de Salvaterra deu um susto nos bicolores, pois marcou primeiro. O Paysandu fez dois gols, mas o Avante empatou nos minutos finais. Placar final: 2 a 2. O Avante marcou com Teixeiribnha e Estanislau. Sua equipe formou com Paulo; Cobra, Zé Ferreira; Pitico, Satiro, Coelho; Vitor, Neno, Estanislau, Teixeirinha e Jacob. Treinador: José Matos.

Na sua segunda apresentação, o Avante empatou com a Tuna, em 1 a 1, dia 29/05, na Curuzu, com gol contra de Nonato.

O terceiro compromisso foi cumprido frente ao Atlético Liberato de Castro, e o Avante não deixou por menos: venceu por 3 a 2, com gols de Jacob, Estanislau e Teixeirinha. A primeira derrota da equipe marajoara só aconteceu na quarta exibição oficial, contra o Clube do Remo, por 2 a 1, tendo Estanislau anotado o ponto avantino. O Remo viria a ser o campeão de 1960. No 1° turno, o Avante ficou com a 5ª. Colocação, 8 pontos perdidos (2 derrotas, 4 empates). Já no 2° turno, a equipe embalou e o terminou em igualdade de condições com o Clube do Remo, com três pontos perdidos, cada, havendo a necessidade de decisão extra.

O LIBERAL, em sua edição de 02/01/1961, comentando o encerramento do segundo turno e igualdade entre Remo e Avante, à página 6, estampou: "Avante é Finalista - O Avante encerrou ontem seus compromissos no campeonato da cidade. Um fecho brilhante de uma campanha estupenda e meritória para um time que é calouro da divisão principal. Diz-se maravilhosa porque o time de Orlando Brito, com três pontos perdidos é um dos candidatos ao título do returno."

Na decisão extra do segundo turno, o Clube do Remo acabou levando a melhor, empatando o primeiro jogo (0 x 0) e vencendo o segundo, por 1 a 0.

Na sua primeira participação no certame paraense, o Avante fez uma bela campanha e mostrou seu cartão de visita, tendo jogado 20 partidas, com 9 vitórias, 7 empates, 4 derrotas. Marcou 39 gols e sofreu 26, com saldo de 13 gols. Seus artilheiros foram: Estanislau (16), Jacob (10), Teixeirinha (4), Vítor (3), Pitico (3), China (1), Coelho (1), Nonato (Tuna), contra, 1 gol.

A agremiação marajoara ganhou o respeito do torcedor da capital contribuindo para a valorização do certame, no qual ficaria até a temporada de 1967. Depois, voltou para Salvaterra, a fim de preservar seu patrimônio. E deixou seu nome na história.

Clube tinha muitos associados

O Avante possuía 10 anos de fundação e um grande patrimônio, em Salvaterra, formado por imóveis, como a sua sede e dois campos de futebol. Era uma agremiação beneficente, contando com numerosos associados, aos quais prestava assistência em caso de morte, com o sepultamento e pagamento de pecúlio.

A primeira providência ao chegar a Belém foi comprar o passe do centroavante Estanislau, artilheiro da Tuna. O Avante negociou com a Tuna o médio Pitico, pagando seu atestado liberatório com a realização de amistoso, com a Lusa, no estádio Francisco Vasques, com a arrecadação ficando toda com os donos da casa. O clube interiorano conseguiu ainda jogadores experientes, como o goleiro Paulo, os zagueiros Cobra e Zé Ferreira, Satiro (ex-Tunante), Coelho, Teixeirinha (ex-Tuna) e Jacob (ex-Júlio César). Sob o comando do treinador José Matos, o Avante formou um bom conjunto e deu uma nova formatação ao Paraense, e entraram também, a partir dessa temporada, o Salvador Belenenses e Atlético Liberato de Castro, ambos com sede na capital.

O certame passou a contar com 10 agremiações: Tuna, Remo, Paysandu, Combatentes, Yamada (que subiu da 2ª. Para a 1ª. Divisão), Pinheirense, Júlio César, Belenenses, Liberato de Castro e Avante, este, o primeiro interiorano.

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