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Mulheres que vivem da arte

08/03/2009 - 00:00 - Noticias

Referências femininas encantam o público paraense e inspiram produções de música, dança, teatro e pintura

Alexandra Cavalcanti
Da Redação

Mulheres que se destacam por suas atuações nas artes revelam neste dia internacional da mulher que buscam inspirações para seus trabalhos em outras almas femininas. Os trabalhos da artista plástica Nina Matos não deixam dúvidas. 'Tive como base no início dos meus trabalhos as fotos antigas de minha família, especialmente as da minha mãe. Sempre recebi muito incentivo dela e de toda a família', relembra a artista, autora de 'Visitação' (1996), 'Um lugar ao sol' (1999), 'Objeto de desejo' (1997) e 'Auge' (2001), obras nas quais a mulher e a família aparecem como focos centrais.

As apresentações da avó paterna, a maestrina Júlia Chermont, e a música da mãe, Eneida, no piano como no violão, foram fundamentais para o trabalho da cantora paraense Conceição Chermont. 'Elas foram a minha inspiração para seguir essa carreira', afirma.

A atriz, cenógrafa, diretora de teatro e professora Wlad Lima também se inspira na mãe, Dolores Lima, 80, 'exemplo de força', diz. 'Criou quatro filhos e sempre muito batalhadora. Se formou em advocacia e foi professora, acho que esse meu lado de ensinar vem muito dela', acredita. Wlad cita ainda professora e diretora teatral paraense Maria Sylvia Ferreira da Silva Nunes, que na década de 60 dirigiu a primeira montagem brasileira de 'Morte e vida Severina', inspirada na obra do escritor pernambucano João Cabral de Melo Neto (Recife, 1920 - Rio de Janeiro, 1999). O espetáculo inovou a linguagem teatral. 'Ela foi minha professora e me ensinou grande parte do sei hoje', diz Wlad, que também recorda da diretora de teatro Olinda Charone.

A professora de dança Marilene Melo não tem dúvidas sobre as mulheres que lhe servem como inspiração. 'O elo precursor do trabalho com a dança que desenvolvo há tantos anos com certeza veio da minha mãe, Joana Lopes, falecida há mais de 15 anos, além . Assim como ela, quando preparo um trabalhopenso sempre na minha filha, Andressa Melo, que, mesmo morando longe, me dá todo o apoio que preciso para desenvolvê-los', afirma Marilene, que vai estrear no próximo dia 12 o espetáculo 'Fraseando'. 'Nele me reporto a grandes mestres como Eni Correa, Dayse Barros e Márika Gidali', cita.

Schivasappa e Eneida romperam barreiras

No século 20, a paraense Margarida Schivasappa (Belém, 1895 - Belém, 1968) herdou da mãe o gosto pela música. Estudou no Instituto Carlos Gomes e se diplomou pelo Conservatório Nacional de Canto Orfeônico. Aluna do músico carioca Heitor Villa-Lobos (Rio de Janeiro, 1887 - Rio de Janeiro, 1959), no Rio, foi professora de canto em Belém. Criou o Teatro do Estudante do Pará, o Norte Teatro Escola do Pará e o Grupo Experimental de Teatro do Pará. Em sua homenagem, em 26 de fevereiro de 1987 foi inaugurado o teatro Margarida Schivasappa, no Centur. 'O canto orfeônico é o mais completo sistema pedagógico para a educação do povo', dizia.

A jornalista e escritora paraense Eneida de Moraes (Belém, 1904 - 1971, Rio de Janeiro). Formada em odontologia, ficou conhecida em todo o País como profunda conhecedora do Carnaval brasileiro. Dizia ela: 'É no Carnaval que todas as fronteiras sociais desabam - pretos, brancos, cafuzos, caboclos, todos em confraternização durante o reinado momesco'.

Nos anos 30 participou ativamente da vida política brasileira. Em 1932 filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro. Foi presa em 1935 na Casa de Correção do Rio de Janeiro por causa da sua militância política. O escritor alagoano Graciliano Ramos (Quebrangulo, 1892 - Rio de Janeiro, 1953) a imortalizou em 'Memórias do cárcere'.

Escreveu 'História do carnaval carioca', a primeira grande obra sobre este assunto, que estabeleceria as principais categorias do carnaval brasileiro ao definir o conceito de cordões, corso, ranchos, sociedades e entrudo. Foi criadora do baile do Pierrot, no Rio de Janeiro e em Belém. Em 1973 foi tema do samba-enredo da escola Salgueiro e do Império de Samba Quem São Eles.

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