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Pará

Santa Cruz do Arari homenageia Pe. Giovanni Gallo

22/11/2005 - 22:17 - Pará
A Câmara Municipal de Santa Cruz do Arari, município localizado no arquipélago do Marajó, acaba de aprovar um Projeto de Lei que dá o nome do padre Giovanni Gallo para a praça principal da cidade, localizada próximo ao trapiche, na entrada da sede municipal.

O projeto, aprovado por unanimidade, é de autoria do vereador do PTB, Leonardo Lobato, secretário executivo da Associação dos Municípios do Arquipélago do Marajó (AMAM). A praça, que será inaugurada no próximo dia 30, foi construída com verba de convênio alocada pelo deputado Alessandro Novelino.

'A homenagem é mais do que merecida. A nossa cidade se divide em duas fases: antes do Gallo e depois do Gallo', diz Leonardo, que comemora a aprovação do projeto. Para ele esse é um importante reconhecimento ao compromisso que Giovanni Gallo assumiu com o Marajó. 'É um reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelo padre Giovanni Gallo, enquanto pároco do município de Santa Cruz, pois foi ali o primeiro lugar que trabalhou quando chegou ao Pará, foi lá que começou o Museu do Marajó, que hoje se localiza em Cachoeira', conta Leonardo.

Museu do Marajó - O Museu do Marajó é o mais importante legado deixado pelo Padre Giovanne Gallo, que faleceu em abril de 2005. O lugar guarda incríveis descobertas, desde peças autênticas dos índios marajoaras e peças arqueológicas.

Durante 'uma visita personalizada', encontramos pela frente as lendas com suas representações plásticas, assim como informações históricas, pesquisas sobre o passado dos índios e também dos negros. Além de muito material artesanal produzido pelos caboclos da região a partir dos ensinamentos do velho mestre, Giovani Galo.

A língua Tupi é catalogada e colocada à disposição dos visitantes, com seus devidos significados: as mesmas janelas mostram, por exemplo, a etimologia de palavras como Marajó, Igarapé, Cachoeira, Riacho, Urubu e outras.

Outro destaque é a arqueologia. No acervo podemos encontrar também as obras literárias de Giovani Galo, como o livro 'Motivos Ornamentais da Cerâmica Marajoara'. O livro levou cerca de 10 anos para ser publicado, com ajuda da Secretaria de Cultura do Estado.

Um padre italiano no Marajó - Giovani Galo era capelão dos emigrados na Suíça Alemã. Um dia percebeu que sua missão por lá estava concluída e que precisava se dedicar a outras missões, escolhendo assim, o terceiro mundo. Quando teve a chance de mudar de país escolheu o Brasil, mais precisamente Santa Cruz do Arari, no Marajó.

Mas o que chamou sua atenção foi a beleza parecer ser vítima do que ele chama de 'um certo descaso quanto à natureza, já que naquela época, na Europa o problema da ecologia estava na boca de todo mundo'.

Como não tinha nenhum conhecimento sobre essa nova cultura do Marajó, nem sabia de sua existência antes de vir para o Brasil, resolveu fazer um estudo aprofundado sobre a região.

Da pesquisa nasceu a paixão e a idéia de criar uma cooperativa de pesca para ajudar a comunidade. Passou semanas, meses, junto com os pescadores. 'Era uma convivência de 24 horas por dia, sempre coletando dados', relembra Edmundo Galo. Ele percebeu a necessidade de criar um sustento para a população e resgatar aquela cultura. O povo seria doador e receptor do que fosse produzido.

Diante de tantas descobertas veio a idéia de criar um Museu. Mas, deveria ser um lugar onde existisse uma infraestrutura para sustentá-lo e ao mesmo tempo chamasse a atenção das pessoas.

Mas, problemas políticos em Santa Cruz do Arari o obrigaram a deixar o município e mudar para Cachoeira do Arari. Em Cachoeira, o prefeito lhe ofereceu um espaço abandonado, onde há mais de 25 anos funcionava uma antiga Olaria. Foi nesse espaço que padre Galo montou a infra-estrutura que precisava e assim, nasceu o Museu do Marajó, para ele, 'um museu que segue o conceito do desenvolvimento'.

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